Arritmias Atriais

Qual é a diferença entre as arritmias supraventriculares (TSV) como o flutter atrial e a fibrilação atrial?

ɉ normal que sua frequência cardí­aca varie durante o dia, dependendo do seu ní­vel de atividade. Por exemplo, você pode esperar que sua frequência cardí­aca aumente quando está se exercitando, mas não quando está sentado.

Qualquer tipo de ritmo ou frequência cardí­aca anormal é chamado de arritmia. Ritmos cardíacos anormais rápidos, com frequências acima de 100 bpm, são denominados taquiarritmias. Taquicardia supraventricular (TSV) é um termo geral para qualquer ritmo cardí­aco rápido vindo de um local acima dos ventrí­culos.

Qualquer pessoa pode desenvolver uma arritmia, mesmo um jovem, sem uma condição cardí­aca prévia. Entretanto, as arritmias são mais comuns em pessoas com mais de 65 anos que sofreram algum dano cardí­aco em face de um ataque cardí­aco, cirurgia cardíaca ou outras condições. As taquicardias supraventriculares incluem:

  • Fibrilação atrial
  • Flutter atrial
  • Taquicardia atrioventricular por reentrada nodal (TAVRN)
  • Sí­ndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW)

Fibrilação Atrial

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia cardí­aca sustentada mais comum, afetando mais de 1% da população mundial.1  Fibrilação Atrial é o batimento irregular e caótico das câmaras superiores do coração. Os impulsos elétricos são descarregados de uma maneira tão rápida que o músculo atrial treme ou fibrila. Os episodios de fibrilação atrial podem durar poucos minutos ou vários dias.

Os sintomas de fibrilação atrial podem variar desde uma leve fadiga e tontura até dor no peito ou dificuldade para respirar. Alguns pacientes sentem seus corações palpitando, enquanto outros nem percebem a mudança em suas frequências cardíacas.

A fibrilação atrial está associada a algumas condições médicas, tais como doença arterial coronariana, pressão arterial alta ou hipertireoidismo. Às vezes, não existe uma causa identificável.

A fibrilação atrial em si não representa uma ameaça  à vida. Seu tratamento depende dos sintomas que o paciente tem e das condições médicas adjacentes, podendo incluir medicamentos de controle da frequência ou do ritmo para estabilizar a frequência cardíaca, cardioversão elétrica para restaurar o ritmo normal do coração ou técnicas de ablação que isolam os circuitos elétricos que podem estar acionando os episódios de fibrilação atrial

A consequência mais séria da fibrilação atrial é o derrame isquêmico. Estima-se que o risco de derrame em pacientes com fibrilação atrial é cinco vezes maior do que o risco em pacientes sem fibrilação atrial.2  Como a prevalência da fibrilação atrial aumenta com o envelhecimento da populção, o número de derrames também aumenta.3  A maioria dos pacientes com fibrilação atrial, independente da gravidade de seus sintomas ou da frequência dos episódios, precisa de tratamento para reduzir o risco de derrame.

Flutter Atrial

O flutter atrial é semelhante  à  fibrilação atrial, com frequências cardí­acas até 4 vezes mais rápidas que o normal nos átrios. Os batimentos cardíacos no flutter atrial são regulares, ao passo que na fibrilação atrial eles são irregulares. No flutter atrial, o sinal elétrico fica preso no átrio direito. Ele viaja repetidamente em um padrão circular dentro do átrio direito, escapando ocasionalmente pelo nó AV para os ventrí­culos. Isso faz com que os átrios batam mais rápido que os ventrí­culos, a frequências entre 150 e 450 batimentos por minuto. As pessoas que mais tem flutter atrial são aquelas com mais de 60 anos e que possuem algum distúrbio cardíaco, como problemas em alguma válvula do coração ou um espessamento do músculo cardíaco. O flutter atrial também traz consigo o risco de desenvolvimento de coágulos de sangue, apesar deste risco não ser tão grande quanto na fibrilação atrial

Taquicardia Atrioventricular por Reentrada Nodal (TAVRN)

A taquicardia atrioventricular por reentrada nodal é a taquicardia supraventricular mais comum. Em um coração normal, existe um único trajeto elétrico, denominado nó atrioventricular (Nó AV). O Nó AV controla a temporização e a direção do sinal elétrico à medida que ele viaja das câmaras superiores (átrios) para as câmaras inferiores (ventrí­culos) do coração. Na taquicardia atrioventricular por reentrada nodal, um trajeto elétrico extra é formado, permitindo que o sinal elétrico volte pelo (nó AV) ao mesmo tempo, iniciando outro batimento cardí­aco. Durante uma taquicardia atrioventricular por reentrada nodal, os sinais elétricos viajam continuamente ao redor dos dois trajetos em um padrão circular chamado de reentrada. Isso pode levar a uma frequência cardí­aca muito rápida de 160 a 220 batimentos por minuto. A taquicardia atrioventricular por reentrada nodal é mais comum em pessoas com 20 ou 30 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade, sendo mais comum nas mulheres do que nos homens.

Sí­ndrome de Wolff-Parkinson-White

A sí­ndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW) é um grupo de batimentos cardíacos rápidos e irregulares causados por vias de condução elétrica extra entre os átrios e os ventrí­culos. Nela, as vias fazem com que os sinais elétricos cheguem muito cedo nos ventrículos, sendo enviados de volta para os átrios em um circuito curto (ou loop). O resultado é uma frequência cardíaca muito rápida. As pessoas com essa sí­ndrome podem sentir tonturas, ter palpitações no peito ou desmaiar, além de estarem mais propensas a desenvolver fibrilação atrial ou um ritmo mais perigoso chamado de taquicardia ventricular. 

Essas vias extras estão presentes no nascimento. Pessoas de todas as idades, incluindo crianças pequenas, podem ter os sintomas relacionados com a sí­ndrome de Wolff-Parkinson-White. Os primeiros episódios de um batimento cardí­aco rápido ocorrem entre os 10 e 20 anos.